Estás com as pernas afastadas, os braços esticados para a frente e no encontro das duas mãos a arma com que apontas...Grito-te para pensares depressa e disparares a matares.
Que sim que vais disparar, mas que primeiro vais começar a rir sem parar, ris-te de mim, da minha ignorânica, do meu amor, do meu ser....E dizes que sempre servi para alguma coisa para te fazer sorrir...
Volto os meus olhos baixos na tua direcção, sempre adorei ver-te sorrir...
Soltas a primeira bala e furas-me a orelha esquerda
Dor sem sangue...só dor sem nada...pelo menos o amor é barulhento, mas a dor é plana, sem riscos, sem altos e baixos, só tem uma direcção.
Gabas-te de seres uma super-mulher de ires vencer "A Mulher Policia" e que nenhuma criança te vai amolecer o coração.
Talvez respondo-te.
Ajoelho-me tiro as sapatilhas de correr, e mando-a na tua direcção...é um ultimo folego, uma ultima hipotese. Já não posso correr sem parar...quando corro sinto-me feliz, que sonho contigo acordado no esforço do querer ir mais longe.
Dispara a segunda bala, olho a lente dos óculos partida e o meu olho a desaparecer no meu cérebro....são as imagens de tudo e de todos que me fogem...vão para dentro...mas saem do outro lado...a bala passou-se...começa a dançar...mas dizes-me que não gostas de musica brasileira.
Que sim que a língua portuguesa é a mais bonita do mundo.
Tiro os óculos partidos da cara.
ajoelho-me de novo para os deitar no chão sem deixar partir a outra lente...
Dizes-me que também eu pertenço ao chão e à terra.
Respondo-te violentamente que o sei e que não me incomoda...a terra é a verdadeira democracia da nossa vida.
Terceiro tiro, atinges-me uma perna, automaticamente decepada.
Que me estás a ajudar e que posso acoplar uma arma quando chegar o apocalipse e quiser combater os zombies.
Afastas cuidadosamente o cabelo da frente dos teus olhos.
Digo-te que és muito bonita.
Respondes ironicamente com o quarto e o quinto tiro, mas não consegues evitar um sorriso...aquele soriso que só eu conheço...o teu sorriso especial, que é quase só meu...ou pelo menos para mim é só meu.
Acertas no meu abdomem e no braço...
Digo-te que estou triste porque nunca verdadeiramnte te abraçei, mas que o sonhei muitas vezes.
Replicador gritas, replicadores gritas de novo apanhem este filho das árvores do chão e levem-no transformem-no em banha ou em sabão.
Esperamos 1 hora mas ninguém ouviu a tua voz.
Hesitas antes do ultimo tiro, vejo os teus olhos hesitantes, os teus lábios parecem secos, como se algum dia tal fosse possível.
perguntas-me onde quero o último tiro...
Respondo que te amo, que quero, que sim, que consigo...
olho-te por entre os teu seios, por entre os teus olhos lindos.
Vejo a bala disparada pelo dedo atingir o coração que paira sobre o meu lado direito e onde guardo o meu coração cheio...o coração vazio anda comigo todos os dias...caminha, corre, salta...cada vez mais alto... sofre, não chora.
Grito sem parar por cinco minutos, depois calo-me, as cortinas começam a fechar o palco...estou longe de ti para sempre...
mas estás para sempre dentro de mim, nos dedos que falaste e que me enviaste e que guardo para sempre...
Também és minha...só um bocadinho, mas também és minha...
Sorris ao ver-me cair...sorrio para ti. Voltas-te e partes com a tua espada para um novo ano.
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